ABC dos cosméticos naturais

No ponto onde a saúde do corpo encontra a preocupação com o meio ambiente, os cosméticos naturais se tornam a melhor opção para quem busca uma alternativa aos produtos de beleza convencionais cheios de plástico e substâncias químicas sintéticas. Uma tendência que está ganhando força e fazendo um novo mercado borbulhar: pequenos negócios saem do papel, enquanto empresas já consolidadas se adaptam às novas necessidades de seus consumidores, cada vez mais preocupados com o futuro do planeta.

Nesse contexto, surgem novas palavras no vocabulário das pessoas, disseminadas rapidamente pela internet, e um cenário favorável para o greenwashing – a sustentabilidade falsa. Para explicar o que são, e o que não são, os cosméticos naturais e outros termos desse universo, a Palma, marca ativista zero plástico e protetora do Cerrado, criou um mini-glossário dos cosméticos naturais pra deixar todo mundo por dentro do assunto. Vem com a gente

O que são cosméticos naturais?

São produtos de beleza que priorizam ingredientes provenientes da natureza, como óleos vegetais e essenciais, manteigas naturais, argilas e outros ativos minerais, em vez de depender de substâncias químicas sintéticas.

Ao optar por cosméticos naturais, é importante ler os rótulos, entender os ingredientes e buscar informações sobre a marca. As empresas de cosméticos naturais geralmente seguem práticas de produção sustentáveis, evitam testes em animais e optam por embalagens ecológicas, mas nem sempre é assim, uma vez que não há legislações específicas para esses produtos no Brasil.

Produtos veganos e cruelty-free

O selo cruelty-free, por exemplo, é encontrado em uma série de produtos, incluindo cosméticos convencionais. O rótulo garante que determinado produto não foi submetido a testes com animais, mas não significa que ele seja vegano. Produtos veganos não são testados em animais e também não levam ingredientes de origem animal. Assim, todo produto vegano é cruelty-free, mas nem todo produto cruelty-free é vegano.

Agora, os cosméticos naturais não são necessariamente veganos, uma vez que podem conter ingredientes como mel, leite ou cera de abelha. Igualmente, um produto vegano pode ser feito a partir de substâncias sintéticas. É um pouco complexo, né? Por isso, fique de olho no rótulo para saber se o item que você está comprando atende às suas necessidades. Quando um produto natural se apresenta vegano significa que todos os ingredientes são vegetais ou minerais e que não foram realizados testes em animais.

Clean beauty

O movimento beleza limpa, em português, promove a produção e o consumo de produtos livres de substâncias tóxicas, estimulando as marcas a serem transparentes e responsáveis em relação aos ingredientes que utilizam em suas fórmulas e quanto ao processo de produção de seus cosméticos. A clean beauty não é exclusiva dos produtos naturais, orgânicos, veganos ou cruelty-free, afinal um cosmético sintético não faz necessariamente mal à saúde: é sobre eliminar toxinas, como parabenos, sulfatos e fragrâncias artificiais, só para citar alguns, que ainda são encontradas nos produtos que deveriam cuidar da beleza e da saúde das pessoas. 

Cosméticos sólidos

Os cosméticos sólidos têm ganhado destaque no mercado da beleza como uma opção mais sustentável em comparação aos cosméticos convencionais, geralmente líquidos ou cremosos. Uma das principais razões para essa preferência está relacionada ao uso mais eficiente dos recursos naturais durante sua produção. Enquanto os cosméticos convencionais costumam exigir quantidades significativas de água em seus processos de fabricação e diluição, os cosméticos sólidos, como shampoos e condicionadores em barra, minimizam esse consumo. Além disso, produtos sólidos ocupam menos espaço, não correm o risco de derramar quando transportados e, principalmente, demandam embalagens mais simples, muitas vezes biodegradáveis.

Embalagens ecológicas

No mercado da beleza, as embalagens de plástico ainda dominam. As empresas desenvolvem cosméticos veganos, orgânicos e livres de toxinas, mas continuam distribuindo seus produtos em embalagens plásticas, muitas vezes sem um sistema de logística reversa (conjunto de ações destinadas a viabilizar a coleta dos resíduos sólidos de uma empresa e devolvê-los ao ciclo de produção), deixando a responsabilidade do descarte correto – quanto possível de fazê-lo – nas mãos dos consumidores.

Nesse cenário, as embalagens ecológicas ganham destaque entre os consumidores mais preocupados com a questão do plástico. Embalagens de papel, por exemplo, são biodegradáveis e recicláveis, ou seja, se decompõem rapidamente sem prejudicar o meio ambiente ou podem voltar ao ciclo produtivo para se transformarem em novos objetos. Poucas empresas de cosméticos, entretanto, optam por esse tipo de material. Elas podem, inclusive, utilizar o plástico de forma pouco responsável nos seus produtos e apenas se apresentarem como ambientalmente conscientes ao adotar estratégias de marketing que sugerem práticas ecológicas.

Greenwashing

O greenwashing ocorre quando uma marca se vende como ecologicamente correta, mas sua realidade não está alinhada com esse discurso. Nos últimos anos, tem sido comum empresas capitalizarem o crescente interesse dos consumidores por produtos naturais e sustentáveis, promovendo seus produtos como "verdes" para vender mais, enquanto continuam com as mesmas fórmulas, embalagens e práticas que prejudicam o meio ambiente.

A partir do seu poder de compra, os consumidores podem escolher não consumir produtos de determinada marca – o famoso boicote – uma vez identificado que ela está praticando greenwashing. É um processo delicado: a sustentabilidade falsa é uma jogada de marketing e está ficando cada vez mais difícil ler nas entrelinhas de todos os novos produtos surgindo no mercado. Fique de olho: empresas ecologicamente responsáveis tendem a ser mais transparentes quanto ao seu processo de produção, aos ingredientes que utilizam em suas fórmulas, quem está por trás da marca e o que motivou a empresa a escolher práticas sustentáveis.

 

Os produtos da Palma são sólidos, naturais, veganos, sem toxinas e plástico zero. A missão da marca é dar visibilidade ao Cerrado, em toda sua biodiversidade e riqueza. Todos os produtos são desenvolvidos com ingredientes de plantas do bioma e R$1,00 de cada produto vendido é destinado a organizações que ajudam a proteger o Cerrado.