Microplásticos, petrolatos e embalagens impossíveis de reciclar: os desafios do plástico na indústria cosmética

A má gestão dos resíduos plásticos ao longo das últimas décadas, somada à sua produção excessiva, transformou o plástico em um dos principais desafios do nosso tempo. O estudo Poluição plástica, do banco Credit Suisse, afirma que, anualmente, mais de 350 milhões de toneladas métricas de plástico tornam-se resíduos no mundo todo. Desse total, 46% vai parar em aterros sanitários; 22% acaba no meio ambiente ou nos oceanos; e 17% é incinerado – uma atividade que produz cinzas tóxicas e emite poluentes atmosféricos e dióxido de carbono (CO2), contribuindo para o aquecimento global. Apenas 15% do plástico produzido globalmente é reciclado.

Todo mundo já viu imagens de animais marinhos sofrendo com os resíduos plásticos que vão parar nos oceanos. Leis foram criadas, no Brasil e no mundo, para diminuir ou eliminar canudos, sacolas e outros objetos descartáveis de uso único. Alternativas biodegradáveis para todo tipo de produto foram e continuam sendo desenvolvidas, apesar de pouco disseminadas. E mesmo com toda a discussão sobre seu impacto no planeta e na saúde humana – de embalagens impossíveis de reciclar a substâncias provenientes do petróleo – o plástico ainda domina a indústria dos cosméticos.

 

As embalagens

De acordo com uma matéria do jornal The Guardian, a indústria global de cosméticos produz 120 bilhões de unidades de embalagens todos os anos. Embalagens mais complexas, difíceis de higienizar pós-uso ou formadas por diferentes materiais vão parar mais facilmente em aterros sanitários. Verdade seja dita, nem toda embalagem reciclável acaba sendo reciclada: a primeira é uma característica de design, a segunda depende de educação ambiental e sistemas de reciclagem pública ou logística reversa bem desenhados. No fim das contas, desenvolver produtos sem se preocupar com seu descarte futuro é mais viável economicamente para as empresas do que investir recursos para recuperá-los e garantir que serão reutilizados e/ou destinados à reciclagem.

Alguns consumidores, entretanto, pressionam. Há um movimento global em direção à sustentabilidade, com uma forte cobrança sobre a indústria de cosméticos para que desenvolvam embalagens mais ecológicas. Mas o que é positivo por um lado também abre brechas para o greenwashing. Para as empresas que vêem a sustentabilidade como uma tendência de mercado, parecer que se preocupam com seu impacto no meio ambiente é o caminho escolhido. Criando narrativas que não condizem com práticas reais e aplicando rótulos confusos, elas tiram a responsabilidade de suas costas e depositam sobre os consumidores, que precisam descobrir como descartar os resíduos plásticos que acabam em suas mãos.

 

Os microplásticos 

Só que o plástico não está só nas embalagens. Uma pesquisa da Fapesp afirma que a presença de microplásticos nos oceanos foi identificada ainda nos anos 1970. Atualmente, há registros de microplásticos encontrados no ar, na terra, no sistema digestivo de animais marinhos e, consequentemente, no corpo humano.

Existem dois tipos de classificação para os microplásticos: os primários são micropartículas liberadas diretamente na atmosfera, enquanto os secundários resultam da degradação de objetos maiores. A indústria de cosméticos é responsável por parte dos microplásticos primários ao adicionar pequenas esferas de plástico em produtos como pastas de dentes, sabonetes e esfoliantes. Preocupações significativas emergiram quando essa informação se tornou conhecida devido aos impactos que os microplásticos causam ao meio ambiente e à saúde humana – impactos que ainda estão sendo estudados. (Fapesp, 2019)

Devido a essas preocupações, muitos países têm adotado medidas legais para limitar ou proibir o uso de microplásticos em produtos de beleza, mas o Brasil não é um deles. O PL 6528/2016, que proíbe a manipulação, fabricação, importação e comercialização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria que contenham a adição intencional de microesferas de plástico, está parado desde 2021. As mudanças, então, têm partido das próprias empresas ao reformularem seus produtos, mas é importante ter atenção. Os consumidores preocupados podem procurar cosméticos com o rótulo "plástico zero" ou verificar a lista de ingredientes para identificar a presença de microplásticos. 

Os petrolatos

Existe também a questão do petróleo: um recurso não renovável que dá origem ao plástico e uma atividade com impactos ambientais significativos, desde a perfuração para extração até o transporte e o uso final do petróleo refinado. Os produtos à base de petróleo estão por toda parte: dos remédios aos corantes alimentícios, do asfalto aos produtos de beleza. Na indústria de cosméticos convencionais é comum a utilização de petrolatos, as substâncias derivadas do petróleo, como vaselina, parafina, óleos sintéticos, silicones, polímeros e outros. Por conta disso, a busca dos consumidores por produtos mais limpos, para a saúde e para o meio ambiente, acaba, muitas vezes, na cosmetologia natural que oferece cosméticos livres de plástico e de petrolatos.

Movimentos como Plástico Zero e Beleza Limpa vêm ganhando força e já é possível ver algumas mudanças acontecendo. Empresas consolidadas estão criando fórmulas mais sustentáveis, enquanto marcas ecologicamente conscientes surgem a todo momento. A Palma é uma delas: natural, vegana, clean beauty, plástico zero e livre de fragrâncias sintéticas, a marca ainda atua na conservação do Cerrado ao destinar R$1,00 de cada produto vendido para organizações que protegem o bioma.

Quando se fala em sustentabilidade, o senso comum acaba responsabilizando os consumidores, mas a solução dificilmente vai surgir no final da cadeia produtiva: é preciso mobilizar e somar esforços. Empresas, governos e sociedade civil precisam trabalhar juntos para promover ações que gerem mudanças reais, pois a questão do plástico segue urgente e é uma responsabilidade de todos. Individualmente, por onde começar a trilhar esse caminho? Consumindo de marcas responsáveis, pressionando quem tem o poder de realizar mudanças estruturais e, claro, mantendo a discussão viva.

 

Os produtos da Palma são sólidos, naturais, veganos, sem toxinas e plástico zero. A missão da marca é dar visibilidade ao Cerrado, em toda sua biodiversidade e riqueza. Todos os produtos são desenvolvidos com ingredientes de plantas do bioma e R$1,00 de cada produto vendido é destinado a organizações que ajudam a proteger o Cerrado.